O conceito integra a terapia contextual de Iván Böszörményi-Nagy e Geraldine M. Spark (1973), fundamentada na ética relacional: cada membro da família ocupa uma posição numa contabilidade simbólica de méritos e dívidas, o chamado "livro-razão" (ledger), construída a partir do cuidado, da proteção e do reconhecimento recebidos ao longo das gerações. Essa contabilidade gera uma obrigação implícita de reciprocidade, que o sujeito não escolhe nem percebe conscientemente.
Na clínica
Identificar conflitos de lealdade não reconhecidos é um eixo central da terapia familiar: quando não são trazidos à luz, podem paralisar decisões importantes, comprometer sucessões e corroer os vínculos ao longo do tempo. Explicitar a lealdade costuma ser o que a flexibiliza: o que era repetição inconsciente vira escolha.
Referências
BOSZORMENYI-NAGY, Ivan; SPARK, Geraldine M. Invisible Loyalties: Reciprocity in Intergenerational Family Therapy. Harper & Row, 1973.