Vladimir Melo · Psicologia Clínica
Glossário

Parcialidade multidirecionada

Na terapia contextual de Böszörményi-Nagy, postura técnica em que o terapeuta se alia, em momentos diferentes da sessão, a cada membro da família (reconhecendo o que cada um carrega de legítimo), em vez de manter neutralidade ou tomar partido fixo de um só lado.

Uma alternativa à neutralidade

Böszörményi-Nagy considerava a neutralidade terapêutica clássica, na prática, impossível e pouco útil em terapia familiar: todo terapeuta acaba, mesmo sem perceber, favorecendo a perspectiva de quem fala primeiro, de quem é mais articulado ou de quem convive melhor com o profissional. Em vez de perseguir uma neutralidade inatingível, propôs que o terapeuta assumisse partido de forma deliberada e rotativa: parcial com cada membro, por vez, nunca parcial com um só ao longo de toda a terapia.

Na clínica

Na prática, isso significa reconhecer explicitamente, em momentos diferentes da sessão, o que cada pessoa do sistema tem de razão, inclusive quem parece, à primeira vista, o lado mais difícil do conflito. Um pai que pune com rigidez pode ter sido ele mesmo uma criança negligenciada; um filho que se afasta pode estar protegendo a própria diferenciação. A técnica evita que a terapia reproduza, sem perceber, o mesmo padrão de tomar partido que sustenta o sofrimento da família, e constrói a confiança de que todos serão ouvidos, não só quem fala primeiro ou fala melhor.

Referências

BOSZORMENYI-NAGY, Ivan; SPARK, Geraldine M. Invisible Loyalties: Reciprocity in Intergenerational Family Therapy. Harper & Row, 1973.

BOSZORMENYI-NAGY, Ivan; KRASNER, Barbara R. Between Give and Take: A Clinical Guide to Contextual Therapy. Brunner/Mazel, 1986.

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