Uma alternativa à neutralidade
Böszörményi-Nagy considerava a neutralidade terapêutica clássica, na prática, impossível e pouco útil em terapia familiar: todo terapeuta acaba, mesmo sem perceber, favorecendo a perspectiva de quem fala primeiro, de quem é mais articulado ou de quem convive melhor com o profissional. Em vez de perseguir uma neutralidade inatingível, propôs que o terapeuta assumisse partido de forma deliberada e rotativa: parcial com cada membro, por vez, nunca parcial com um só ao longo de toda a terapia.
Na clínica
Na prática, isso significa reconhecer explicitamente, em momentos diferentes da sessão, o que cada pessoa do sistema tem de razão, inclusive quem parece, à primeira vista, o lado mais difícil do conflito. Um pai que pune com rigidez pode ter sido ele mesmo uma criança negligenciada; um filho que se afasta pode estar protegendo a própria diferenciação. A técnica evita que a terapia reproduza, sem perceber, o mesmo padrão de tomar partido que sustenta o sofrimento da família, e constrói a confiança de que todos serão ouvidos, não só quem fala primeiro ou fala melhor.
Referências
BOSZORMENYI-NAGY, Ivan; SPARK, Geraldine M. Invisible Loyalties: Reciprocity in Intergenerational Family Therapy. Harper & Row, 1973.
BOSZORMENYI-NAGY, Ivan; KRASNER, Barbara R. Between Give and Take: A Clinical Guide to Contextual Therapy. Brunner/Mazel, 1986.