Como o mecanismo opera
Bowen observou que um sistema emocional formado por duas pessoas tende à instabilidade sob pressão: as duas se sentem mais próximas quando excluem um terceiro, e mais tensas quando ficam sozinhas com o conflito. Sob estresse, a dupla desloca parte da ansiedade para essa terceira posição, formando um triângulo. Qual dos três membros fica "de fora" a cada momento pode variar, mas a estrutura de três lugares tende a se manter estável mesmo quando os ocupantes mudam.
O filho como terceiro vértice
No sistema familiar, o filho é o terceiro mais recorrente: absorve, no lugar dos pais, uma tensão conjugal que o casal não processa diretamente entre si. A criança pode virar mensageira (portadora de comunicações que os pais evitam trocar de frente), mediadora (cuja presença ou comportamento distrai o casal do próprio conflito) ou sintoma (cujo mal-estar reorganiza temporariamente a tensão do sistema em torno do cuidado com ela).
Na clínica
Reconhecer um triângulo em curso é o primeiro passo para devolvê-lo a dois vértices: ajudar o casal a processar a tensão entre si, sem intermediação, libera o terceiro (frequentemente um filho) da função que nunca lhe cabia.
Referências
BOWEN, Murray. Family Therapy in Clinical Practice. Jason Aronson, 1978.