Vladimir Melo · Psicologia Clínica
Glossário

Complementaridade

Padrão de interação descrito por Watzlawick, Beavin e Jackson em que os participantes trocam comportamentos diferentes e encaixados entre si — um ocupa a posição de quem conduz, o outro a de quem responde —, cada comportamento reforçando o do outro.

O quinto axioma da comunicação humana

Watzlawick, Beavin e Jackson propuseram, como o quinto dos axiomas descritos em Pragmática da Comunicação Humana (1967), que toda troca comunicacional é simétrica ou complementar, conforme se baseie na igualdade ou na diferença entre os participantes. Na complementaridade, a diferença é maximizada: um participante ocupa a posição primária, de quem conduz, corrige ou ensina, e o outro a posição secundária, de quem responde, aceita ou aprende — e cada comportamento encaixa no do outro e o reforça. A relação entre pais e um bebê é o exemplo mais claro: complementar não por imposição, mas pela diferença real de capacidade entre os dois.

Complementaridade rígida

A complementaridade não é, em si, um padrão problemático: está presente na maioria das relações estáveis e sustenta papéis funcionais, como o de terapeuta e paciente ou o de professor e aluno. A dificuldade aparece quando o padrão se torna rígido, quando um dos participantes fica preso à posição primária e o outro à secundária, sem espaço para alternância ou negociação. Watzlawick, Beavin e Jackson descrevem casais em que essa rigidez se instala de forma tão estável quanto destrutiva, cada comportamento confirmando e perpetuando o do outro.

Na clínica

Identificar um padrão complementar rígido ajuda a entender por que um membro do casal ou da família parece sempre precisar conduzir, e o outro sempre seguir, mesmo quando os dois manifestam insatisfação com o próprio papel: cada comportamento mantém o do outro numa cadeia circular, sem que um lado seja a causa isolada do problema. O trabalho terapêutico não busca eliminar a complementaridade, presente e necessária em toda relação, mas devolver à dupla a flexibilidade de alternar entre posições complementares e simétricas conforme a situação pede.

Referências

WATZLAWICK, Paul; BEAVIN, Janet Helmick; JACKSON, Don D. Pragmatics of Human Communication: A Study of Interactional Patterns, Pathologies, and Paradoxes. W. W. Norton, 1967.

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