O quinto axioma da comunicação humana
No mesmo axioma que descreve a complementaridade, Watzlawick, Beavin e Jackson descrevem a simetria como o padrão oposto: baseia-se na minimização da diferença entre os participantes, que tendem a espelhar o comportamento um do outro. Se um critica, o outro tende a criticar de volta; se um cede, o outro tende a ceder também. É o padrão que sustenta relações baseadas em igualdade, como as de colegas de profissão ou de irmãos próximos em idade.
Escalada simétrica
O risco da simetria não está na igualdade em si, mas na ausência de um mecanismo que module a troca. Quando cada participante responde ao comportamento do outro com mais do mesmo — mais crítica, mais silêncio, mais intensidade —, o padrão pode entrar em escalada simétrica: um ciclo de retroalimentação que se intensifica progressivamente, sem que nenhum dos dois recue primeiro. É o mecanismo descrito por Watzlawick, Beavin e Jackson por trás de muitas discussões conjugais que crescem além do que o motivo inicial justificaria.
Na clínica
A simetria não é, por si só, um padrão a corrigir: relações igualitárias sustentam boa parte dos vínculos saudáveis. O que o trabalho terapêutico busca, diante de uma escalada simétrica recorrente, é ajudar o casal ou a família a reconhecer o padrão em andamento antes que ele se intensifique, e a recuperar a alternância entre simetria e complementaridade que caracteriza relações mais estáveis.
Referências
WATZLAWICK, Paul; BEAVIN, Janet Helmick; JACKSON, Don D. Pragmatics of Human Communication: A Study of Interactional Patterns, Pathologies, and Paradoxes. W. W. Norton, 1967.