A distinção na Teoria Geral dos Sistemas
Bertalanffy definiu sistema fechado como aquele sem troca de matéria com o ambiente, e sistema aberto como aquele que importa e exporta continuamente, mantendo-se em constante intercâmbio. Organismos vivos, para ele, nunca são verdadeiramente fechados: sobrevivem justamente pela troca contínua com o meio, num estado estável (steady state), não num equilíbrio estático.
A família como sistema (mais ou menos) aberto
Aplicada à família, a distinção não é absoluta: nenhuma família é totalmente aberta ou fechada, e sim mais ou menos permeável a influências do contexto (trabalho, escola, família extensa, cultura, tecnologia). Uma família mais fechada tende a resistir a informações e mudanças vindas de fora, sustentando padrões internos mesmo quando deixam de funcionar; uma mais aberta incorpora com mais facilidade novas referências, mas pode também perder coesão se a permeabilidade for excessiva.
Na clínica
Avaliar o grau de abertura de uma família ajuda a entender tanto resistências ao próprio processo terapêutico (uma intervenção também é uma informação externa) quanto a capacidade da família de se beneficiar de redes de apoio, novas informações e mudanças de contexto. Não existe um ponto ideal fixo: o grau de abertura adequado varia com o momento do ciclo de vida e o contexto cultural da família.
Referências
BERTALANFFY, Ludwig von. General System Theory: Foundations, Development, Applications. George Braziller, 1968.