Da engenharia à família
Wiener cunhou o termo no contexto da cibernética, para descrever como sistemas mecânicos e biológicos se autorregulam a partir da informação sobre o próprio desempenho. O grupo de Palo Alto importou o conceito para descrever como a família reage às ações de cada membro: toda resposta de um integrante retorna ao sistema como informação, que por sua vez orienta a próxima interação.
Retroalimentação negativa e positiva
Retroalimentação negativa reduz o desvio: um comportamento se afasta de um padrão estabelecido, e o sistema reage tentando trazê-lo de volta. É o mecanismo por trás da homeostase familiar. Retroalimentação positiva amplifica o desvio: cada resposta intensifica a próxima, num circuito de escalada (a discussão que aumenta de tom a cada réplica) que pode tanto sustentar crises quanto abrir espaço para mudança real, quando rompe um padrão rígido demais para se corrigir sozinho.
Na clínica
Distinguir os dois tipos ajuda o terapeuta a identificar se uma intervenção deve amortecer um ciclo (quando a escalada já é destrutiva) ou, ao contrário, sustentar uma retroalimentação positiva que está finalmente deslocando um padrão disfuncional cristalizado havia tempo.
Referências
WIENER, Norbert. Cybernetics: Or Control and Communication in the Animal and the Machine. John Wiley, 1948.
WATZLAWICK, Paul; BEAVIN, Janet Helmick; JACKSON, Don D. Pragmatics of Human Communication: A Study of Interactional Patterns, Pathologies, and Paradoxes. W. W. Norton, 1967.