Controle e comunicação
Wiener cunhou o termo, em 1948, a partir do grego kybernetes (aquele que governa um leme), para nomear o estudo dos mecanismos pelos quais sistemas se autorregulam por meio da circulação de informação. A ideia central é que controlar um sistema não exige comandar cada peça diretamente: exige estabelecer circuitos de informação que permitam ao sistema corrigir o próprio curso.
Do leme à família
O grupo de pesquisa de Palo Alto (Gregory Bateson à frente) importou os conceitos da cibernética para pensar a comunicação humana e o funcionamento das famílias na década de 1950: se um sistema mecânico se autorregula por retroalimentação, um sistema familiar também. As respostas de cada membro funcionam como informação que orienta o comportamento seguinte dos demais, formando os circuitos que sustentam a homeostase familiar.
Primeira e segunda ordem
A cibernética de primeira ordem observa o sistema de fora, como se o observador não fizesse parte dele. A chamada cibernética de segunda ordem, desenvolvida a partir dos anos 1970 por autores como Heinz von Foerster, reconheceu que o próprio observador (o terapeuta, no caso da clínica) integra o sistema que observa e o influencia só de estar presente, deslocamento que aproximou a terapia sistêmica das ideias de Maturana e Varela sobre autopoiese.
Na clínica
A herança mais direta da cibernética na clínica sistêmica é pensar a família como um sistema que se autorregula por circuitos de informação, não como uma coleção de indivíduos comandados de fora. Isso desloca a intervenção terapêutica de "consertar" um membro para modificar os padrões de comunicação que sustentam o sintoma no sistema inteiro.
Referências
WIENER, Norbert. Cybernetics: Or Control and Communication in the Animal and the Machine. John Wiley, 1948.
WATZLAWICK, Paul; BEAVIN, Janet Helmick; JACKSON, Don D. Pragmatics of Human Communication: A Study of Interactional Patterns, Pathologies, and Paradoxes. W. W. Norton, 1967.