O que a estrutura organiza
Para Minuchin, toda família tem uma estrutura: um conjunto de demandas funcionais que organiza o modo como os membros interagem, mesmo que nenhum deles consiga descrevê-la em palavras. A estrutura define quem tem autoridade sobre quem, que tipo de proximidade existe entre cada dupla de membros, e como as tarefas cotidianas se distribuem.
Hierarquia e os três eixos
A avaliação estrutural observa, sobretudo, três eixos: a hierarquia (quem exerce autoridade, e se essa autoridade é clara e sustentada pelos adultos), os subsistemas (as unidades menores em que a família se organiza) e as fronteiras entre eles (o quanto cada subsistema permanece distinto dos demais, sem se fundir nem se isolar). Os três eixos se sustentam mutuamente: uma hierarquia confusa costuma vir acompanhada de fronteiras difusas entre pais e filhos.
Estrutura não é sinônimo de rigidez
Uma estrutura funcional não é a mais rígida nem a mais permissiva: é a que sustenta autoridade clara o bastante para proteger e orientar, com flexibilidade suficiente para se ajustar às mudanças do ciclo de vida familiar. Estruturas problemáticas tendem a ser extremas num dos dois sentidos: hierarquia ausente (nenhum adulto exerce autoridade consistente) ou hierarquia rígida a ponto de impedir qualquer negociação.
Na clínica
Mapear a estrutura de uma família (quem decide o quê, quem se alia a quem, onde as fronteiras estão nítidas ou confusas) é geralmente o primeiro passo da avaliação estrutural, antes de qualquer intervenção. A meta clínica costuma ser reorganizar a estrutura, não eliminar o sintoma diretamente: o sintoma tende a se resolver como consequência de uma estrutura mais funcional, não o contrário.
Referências
MINUCHIN, Salvador. Families and Family Therapy. Harvard University Press, 1974.