O conceito foi desenvolvido pela psicóloga Pauline Boss (1999) para descrever perdas que não recebem confirmação social nem ritual de despedida, o que impede o processo de luto de se completar. Boss distingue dois tipos: a perda em que a pessoa está fisicamente ausente mas permanece psicologicamente presente (desaparecimento, sequestro, migração forçada), e a perda em que a pessoa está fisicamente presente mas psicologicamente ausente (demência, dependência química, transtornos que alteram a identidade).
Na clínica
A distinção clínica central é entre cansaço e luto: o cansaço responde a descanso e divisão de tarefas, o luto não. Como não há confirmação da perda, quem cuida frequentemente não se permite lamentar, e o trabalho terapêutico não é encerrar esse luto, e sim ajudar a pessoa a tolerar a ambiguidade sem que ela paralise a vida ao redor.
Referências
BOSS, Pauline. Ambiguous Loss: Learning to Live with Unresolved Grief. Harvard University Press, 1999.