Vladimir Melo · Psicologia Clínica
Glossário

Perda ambígua

Termo cunhado pela psicóloga Pauline Boss (1999) para a perda sem confirmação nem ritual: a pessoa está ausente fisicamente mas presente psicologicamente (desaparecimento), ou presente fisicamente mas ausente psicologicamente (demência), e o luto correspondente não se fecha.

O conceito foi desenvolvido pela psicóloga Pauline Boss (1999) para descrever perdas que não recebem confirmação social nem ritual de despedida, o que impede o processo de luto de se completar. Boss distingue dois tipos: a perda em que a pessoa está fisicamente ausente mas permanece psicologicamente presente (desaparecimento, sequestro, migração forçada), e a perda em que a pessoa está fisicamente presente mas psicologicamente ausente (demência, dependência química, transtornos que alteram a identidade).

Na clínica

A distinção clínica central é entre cansaço e luto: o cansaço responde a descanso e divisão de tarefas, o luto não. Como não há confirmação da perda, quem cuida frequentemente não se permite lamentar, e o trabalho terapêutico não é encerrar esse luto, e sim ajudar a pessoa a tolerar a ambiguidade sem que ela paralise a vida ao redor.

Referências

BOSS, Pauline. Ambiguous Loss: Learning to Live with Unresolved Grief. Harvard University Press, 1999.

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