O diário de **[Anne Frank](https://pt.wikipedia.org/wiki/AnneFrank)_ é um livro sobre as lembranças de uma adolescente alemã de origem judaica durante o Holocausto que impressionaram o mundo. Não exatamente por relatar fatos desse período da história, mas por ser uma narrativa infantojuvenil autêntica e lúcida a respeito de vários temas num contexto tão adverso.
O poder terapêutico da escrita e da tradição oral
Já se conhece o poder terapêutico da escrita em momentos de dor, algo atestado pela literatura e por grandes pensadores. Sem dúvida, trata-se de uma tarefa de elaboração ou, em outras palavras, uma forma de dar sentido a uma experiência que desperta angústia. Infelizmente, a tecnologia pouco a pouco fez desaparecer o hábito de escrever diário e nada substituiu essa atividade organizadora a contento.
No entanto, em algumas partes do mundo ainda existe uma forte tradição oral que sustenta o valor das narrativas. Essas histórias transmitidas de geração para geração são fundamentais como referência para auxiliar no enfrentamento de períodos difíceis, como este do coronavírus.
Por exemplo, a narrativa de força de um sertanejo ao longo da seca é uma representação de coragem para a família. Essa referência pode prover a força para que seu filho enfrente os desafios de uma metrópole.

O objeto transicional em O náufrago
O objeto transicional de Winnicott
O filme **[O náufrago](https://pt.m.wikipedia.org/wiki/CastAway)_ explora bem esse ponto. O protagonista guarda a foto da esposa com o propósito de reencontrá-la e estabelece uma relação de amizade com uma bola de vôlei. Os sentidos construídos por meio desses símbolos proporcionam uma força de sobrevivência e superação.
Para além do exemplo da ficção, esses símbolos são usados por crianças para superar a separação da mãe. O paninho ou urso de pelúcia, conhecido como objeto transicional na teoria de D. W. Winnicott, assume essa função simbólica que contribui para a estruturação do eu no mundo.
A dificuldade de reconhecer a dor e todo o esforço para evitá-la impede o curso natural dos processos subjetivos pelos quais se constrói os sentidos de uma experiência.
Conclusão
Escrever ou falar abre caminho para a elaboração do sofrimento, inclusive o luto. A angústia pode ser liberada e convertida em atributos positivos através de símbolos. Vale lembrar que Freud fabulou e teorizou brilhantemente sobre esse processo em **Totem e Tabu**.
