Os elementos do duplo-vínculo
Bateson, Jackson, Haley e Weakland descreveram, em 1956, uma configuração comunicacional com elementos precisos: um vínculo intenso e significativo (tipicamente entre pais e filhos), uma mensagem primária ("venha até mim"), uma mensagem secundária que contradiz a primeira num nível diferente de abstração (uma expressão corporal de rejeição), e a impossibilidade de sair da relação ou comentar a contradição em voz alta.
Não é só uma contradição
Uma contradição isolada não configura duplo-vínculo: todo mundo já recebeu mensagens conflitantes ocasionais. O que caracteriza o padrão é a repetição dentro de um vínculo do qual a pessoa depende, sem possibilidade de sinalizar a contradição ("por que você diz uma coisa e faz outra?") sem punição ou nova contradição. Qualquer resposta que a pessoa dê é, de algum modo, "errada".
Alcance e limites do conceito
A hipótese original ligava o duplo-vínculo repetido à esquizofrenia, leitura hoje considerada reducionista e sem sustentação causal firme. O valor que permanece é conceitual: o duplo-vínculo continua útil para descrever certos impasses comunicacionais em famílias e casais, não como explicação causal de quadros psiquiátricos.
Referências
BATESON, Gregory; JACKSON, Don D.; HALEY, Jay; WEAKLAND, John. Toward a Theory of Schizophrenia. Behavioral Science, v. 1, p. 251–264, 1956.